Viagens com motorhome – Como tudo começou

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Minha primeira viagem em um motorhome foi em 1987.

Eu e um amigo, Alex Nassar, compramos uma perua Kombi, ano 1970, em Amsterdã. Ela tinha equipamento de camping completo. O banco de trás virava uma cama de casal, o teto subia e se abria uma cama de campanha para uma pessoa. Tinha uma pequena geladeira, fogão, pia e armários para utensílios de cozinha e para roupas. Tudo muito bem compactado. O Alex sabia tudo de mecânica de carros e checou motor e outras partes antes de fecharmos o negócio.

Kombi 1970
Alex prendendo a bike na capota antes de começarmos a viagem. Amigos "batizando" a Kombi, antes da nossa partida
Torsvag
Na vila de pescadores de Torsvag, norte da Noruega

Rodamos a Europa por vários meses. Cada país visitado colávamos um adesivo com a respectiva bandeira na traseira da Kombi.

Foi aí que me apaixonei pela ideia de viajar sem ter rumo definido. Poder mudar a rota por qualquer motivo (ou sem motivo, só por querer). Não ter que se preocupar com onde dormiríamos ou comeríamos. Aliás, fizemos refeições memoráveis nos Alpes Suíços e no norte da Noruega, em uma estrada com vistas esplêndidas dos Fiordes.

Essa paixão ficou adormecida até o ano de 2012 quando fomos visitar a Rosa e o Rapha, casal de amigos que está morando na Irlanda. Sugeri alugarmos um motorhome com as crianças e viajar pela Irlanda e Escócia por 12 dias para ver se as crianças (e a Dani) gostariam dessa forma de viajar. Para minha enorme alegria, depois de uma pequena adaptação de uns dois dias, todos curtiram muito.

Motorhome Irlanda
Motorhome versão 2012, na Irlanda. Bem mais confortável que minha saudosa Kombi!
lago Ness
Camping à beira do Lago Ness, Escócia

Ficamos uns dias com nossos amigos e eles foram de carro nos acompanhando até Edimburgo, na Escócia. O Rapha tinha que voltar para trabalhar e nós quatro seguimos para o norte. Queria levar meus filhos para ver o Lago Ness. A lenda do monstro sempre me fascinou quando era criança. Ficamos em um camping à beira do lago e fizemos um passeio de barco "A procura do monstro". Eles adoraram. De lá fomos para a costa leste tentar avistar baleias. Paramos em um camping perto do mar e perguntei para o proprietário:

_ Aonde você iria de motorhome se tivesse mais três dias aqui na Escócia?

_ Sem dúvida nenhuma iria para a Ilha de Skye! Fica a seis horas daqui, na costa oeste, mas você nunca vai se esquecer das paisagens que verá lá.

Demais! Nunca tinha ouvido falar desse lugar e seis horas depois estávamos atravessando a ponte que levava à ilha.

Ponte para Skye
Ponte para a Ilha de Skye
Um dos muitos castelos por onde passamos na Escócia
Um dos muitos castelos por onde passamos na Escócia

Atravessamos a ilha sem quase passar por outros veículos e as paisagens medievais eram de tirar o fôlego. Desnecessário dizer que se tivéssemos um problema com o motorhome estávamos bem isolados. Mas a comitiva de anjos da guarda que me acompanha estava a postos.

Por do sol no camping - Ilha de Skye, Escócia
Por do sol no camping - Ilha de Skye, Escócia

Terminamos a viagem com gostinho de quero mais e como não preciso de muito incentivo para viajar, no ano seguinte, 2013, partimos para uma viagem mais longa no continente europeu.

Dessa vez aluguei um motorhome tipo ônibus em Mannheim, na Alemanha por 22 dias.

Motorhome em 2013
Motorhome em 2013 - interior da Áustria

Fizemos Alemanha, República Tcheca, Áustria, Eslovênia, Croácia, Montenegro. Quando estávamos voltando pela Croácia para subir para a Eslovênia, vi no Google que Veneza não estava tão longe assim. Nenhum de nós conhecia Veneza... Mudei a rota e entramos na Itália. Ficamos em um camping perto de Veneza e fomos para lá de barco. 

camping na Itália
Café da manhã no camping - Itália

Essa liberdade e praticidade que o motorhome proporciona compensa com sobras o desconforto que ele gera. Sem check-ins e check-outs constantes. Sem desfaz e faz malas quase todos os dias. Sem estações de trem ou aeroportos. Além do mais o motorhome cria uma interação familiar única. São todos juntos o tempo todo. Para uns pode significar o pré-suicídio. Para nós, são momentos inesquecíveis. Tenho certeza de que um dia vou olhar as fotos dessas viagens com as crianças com um nó na garganta.

Outro dia, um grande amigo meu, Gebara, comentou com outro grande amigo, Mário, que diabos que eu gostava tanto de viajar de motorhome. O Mário comentou comigo e acabou me inspirando a escrever esse post.

Não é para todos. Mas para quem gosta é imbatível!

 

 

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